BREVE HISTÓRICO SOBRE O GALISMO E SUAS ORIGENS

           Sabemos que o galismo constitue um quadro entre um dos mais antigos esportes. As primeiras citações de que temos notícias nos vêm do Código de Manu (é parte de uma coleção de livros bramânicos, enfeixados em quatro compêndios: o Mahabharata, o Ramayana, os Puranas e as Leis Escritas de Manu. Inscrito em sânscrito, constitui-se na legislação do mundo indiano e estabelece o sistema de castas na sociedade Hindu), há mais de 4.000 anos de nossa época. Em período mais recente, o historiador Dehpster, no ano 1642, em suas anotações sobre Rosini Antiquit, assegura que os galos de rinha eram oriundos da Pérsia, coincidindo com os dizeres de Aristófanes que por duas oportunidades se referiu a eles.

           As rinhas de galos foram e ainda são passatempo de todos os povos desde épocas muito remotas. Plínio, em várias de suas obras, refere-se a torneios que se realizavam todos os anos em Pérgano. Petrônio também se refere a eles. Em muitos vasos retirados das ruínas de Pompéia existem relevos de lutas de galos e consta que Platão constantemente lamentava que adolescentes e adultos se entregassem às brigas de galos em vez de trabalhar. Há também, uma alusão a Tito Flavius, rico cidadão romano da era de Tibério, que mandou jogar um de seus escravos às feras porque se esquecerá de dar comida a seus galos de briga. Cezar foi grande militar e político e igualmente emérito galista.

           A Suméria era uma região rica, de comércio intenso, existindo, pois, muitos profissionais que se dedicavam a escriturar os fatos comerciais e industriais, inclusive, segundo ... Sabemos que esse antigo povo também amavam e conservam sua própria espécie de galos combatentes.

           As lutas de galos foram um passa tempo na Civilização do Vale do Indo até o ano 2000 a.C. O general grego Temístocles, ao liderar o exército de Atenas contra os bárbaros, observou dois galos brigando, e utilizou os galos para exortar os atenienses: os galos, segundo Temístocles, não lutavam pelo seu país, pelos seus deuses, pelos monumentos dos ancestrais, por fama, liberdade ou filhos, eles lutavam apenas porque não queriam se render ao adversário. Após a vitória sobre os persas, os atenienses legislaram que, uma vez ao ano, galos seriam levados ao Teatro para brigar.

           Durante muito tempo, os Romanos desprezaram este "desvio de grego", mas eles acabaram adotando-o com tanto entusiasmo que o escritor Columella (século I) reclamou que seus conterrâneos gastavam todo o seu patrimônio em apostas do gênero.

           Por todo o período da história humana, o galismo é descrito fazendo parte da cultura e tradição de vários povos, principalmente pelas castas guerreiras, exércitos e nações desbravadoras, aos quais admiravam e apreciavam as qualidades dessa aves nascida para combater.



Antigo regsitro sumério



Soldados gregos carregando morto


ILUSTRES AMANTES DO GALISMO E SUA INFLUENCIA NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

THEMISTOCLES
Estrategista naval e político ateniense
SOCRATES
Filósofo ateniense e moralista grego



SEPTIMUS SEVERUS
Imperador romano e reformador político
REI HENRY e CHARLES II
Patronos do galismo na Inglaterra



G. WASHINGTON e ANDREW JACKSON
Famosos galistas / presidentes dos EUA
ABRAHAM LINCOLN
16º Presidente dos EUA emancipacionista





CARLSON GRACIE, AMOR PELO GALISMO E ARTES MARCIAIS

           Quem conheceu o saudoso mestre Carlson Gracie lembra que o primeiro símbolo de sua academia era um galo. Aos que não entendiam, o mestre se apressava em explicar: “Os galos são os únicos no reino animais que brigam por instinto e só param quando perdem os sentidos”. E foi esta proximidade entre a filosofia Gracie e o mundo das brigas de galo que me fez aceitar um convite feito por Carlson para conhecer uma rinha e entender um pouco melhor de onde vinham tantas gírias e curiosidades que já estavam incorporadas ao mundo das lutas.

           Lembro como se fosse hoje. Era uma tarde chuvosa de um sábado em dezembro de 1999. Estávamos eu, Carlson, Paquetá e Rinaldo almoçando quando o mestre nos convidou para acompanhá-lo em um “clube de galos”. Inicialmente declinei, afinal, sempre abominei qualquer tipo de rinha entre animais, mas graças ao meu bom-senso de jornalista percebi a tempo que aquela poderia ser uma oportunidade preciosa de entender o espírito Carlson Gracie e sua capacidade impressionante de formar campeões.

           Quando entramos naquela luxuosa casa localizada na Barra da Tijuca a impressão que tive é de estar entrando num campeonato de Jiu-Jitsu no Tijuca Tênis Clube. Ao redor de uma enorme arena, quase 30 pessoas gritavam ensandecidas enquanto dois galos se engalfinhavam num circulo acarpetado. “Vai que é Mutuca; Este frango d´água, corrido”. Estes e outros termos correntes no vocabulário do mundo do Jiu-Jitsu me fizeram começar a entender de onde Carlson havia tirado sua fixação em valorizar mais seus atletas de brio. “Tenho pavor de galo mutuca, imagina homem”.

           Carlson parecia uma criança na Disneylândia e fazia questão de me explicar cada detalhe. Achei curioso o fato de os galos também serem divididos em categorias de tamanho e peso: leve (61cm – 2600g), médios (65cm – 2900g) e pesados (74cm – 3600 g) e antes de entrarem no ringue também passarem por um processo de preparação onde eram colocadas biqueiras de metal e esporas de plástico (2,5cm). Segundo me explicou Carlson, as lutas eram disputadas em 3 rounds de 15 minutos por 5 de descanso. Se o galo deitasse ou parasse de lutar era vencido por tuco (nocaute em “galês”). O combate também pode terminar empatado.

           Carlson não foi o primeiro Gracie a se inspirar na valentia dos galos. A relação da família com as rinhas começou com seu pai, Carlos, que foi um dos introdutores da prática no Rio. “A primeira rinha de galos do Rio se chamava academia, pois foi aberta nos fundos da primeira academia Gracie (Marques de Abrantes, 117, no flamengo) assim que meu pai chegou de Belém em 1925”, me revelou Carlson entre um combate e outro.

           Segundo Carlson, seu pai tinha fama de ser tão bom treinador de galos que uma vez treinou uma galinha e ela ficou tão boa brigadora, que chegou a vencer vários galos. Verdade ou não, o fato é que, posteriormente, pelo menos nos ringues de Vale-Tudo, seu irmão Hélio e seu filho Carlson provaram estar muito bem treinados.

           Outra curiosidade que descobri nesta reportagem foi que Carlson levou vários galistas para o mundo do Jiu-Jitsu. Um bom exemplo é o faixa preta Alberto dos Santos. Filho de Antônio Apaga-Vela dos Santos, uma espécie de Greg Jackson dos galos de Carlson. “Ele treinava meus galos e eu ensinava Jiu-Jitsu para o Albertinho”. A troca foi justa. Albertinho virou faixa preta, campeão brasileiro e hoje vive dando aulas em Miami. Apaga-Vela pagou na mesma moeda e fez vários campeões para o Gracie. “Fizemos muitos campeões como o Bulova, Alcipão, Piolho do Cão, Belzebu, Swástica e galo-tiro”, contou Carlson enumerando seus prediletos.

           A ligação entre as brigas de galo e o mundo da luta não acabam aí. Quando começaram a lutar Vale-Tudo, os alunos de Rudimar Fedrigo (Chute Boxe) recorreram a um amigo de rinhas e aluno de Carlson, que morava no Paraná. Antônio Carlos (Nico) teve participação fundamental na adaptação dos especialistas de Muay Thai a luta de chão.

Reportagem de Marcelo Alonso / Fonte: http://www.portaldovaletudo.uol.com.br/maior-fonte-de-inspiracao-de-carlson-gracie/

Carlson Gracie com camisa ilustrativa



Antigo logotipo da equipe Carlson Gracie



Carlson Gracie na pesagem e emparelhamento



Carlson Gracie assisitindo um combate



Carlos Gracie (pai) introduzindo a rinha no RJ




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