O QUE SIGNIFICA O TERMO GRAPPLING?

           A palavra Grappling significa "Luta Corpo a Corpo", é um termo utilizado para generalizar qualquer estilo de luta agarrada, seja em pé ou no chão, é a arte de controlar o corpo do oponente. Pode ser aplicada em luta em pé (exemplificado no jogo de clinch, quedas e chaves de esportes e artes marciais como sumô, judô, aiquidô, luta olímpica e sambo) e luta de solo (exemplificado nas imobilizações e submissões de esportes como luta olímpica, jiu-jitsu e submission wrestling).

           O termo também se refere a uma técnica de imobilização, ou uma manobra evasiva, a qual se dá por meio do domínio do oponente. Forma de combate muito utilizada em táticas policiais e esportes de contato, como a luta livre. A nomenclatura em inglês tem prevalecido em razão da generalização daqueles que praticam váriadas modalidades, inclusive pela da imprensa esportiva.


HISTÓRIA GERAL DA MODALIDADE

           A luta é uma das mais antigas formas de combate com as referências a ele tão antigas quanto a Ilíada, de Homero, que narra a Guerra de Troia, nos século XIII e XII a.C..4 As origens da luta podem ser rastreadas até milhares de anos através de desenhos em cavernas na França. Desenhos babilônicos e egípcios mostram lutadores usando a maioria das pegadas conhecidas no esporte atual. Existem desenhos de lutadores nas cavernas dos sumérios-acadianos, datados de 3000 a.C.. No Egito, também existem estes tipos de desenhos em pinturas murais no túmulo 15 em Beni Hasan, datados de 2400 a.C..

           Um dos relatos mais antigos retratado foi a luta entre Jacó e um anjo, mencionado na Bíblia: "Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste." Gênesis 32:28

           Na Grécia antiga, a luta ocupou um lugar de destaque nas lendas e na literatura; competições de luta,
brutais em muitos aspectos, foram o esporte número um dos Jogos Olímpicos, sendo introduzido nos Jogos Olímpicos da Antiguidade em 708 a.C., através da prática do estilo pancrácio, pouco depois da data histórica do início dos Jogos Olímpicos, em 776 a.C.. Os antigos romanos tiveram fortes influências da luta grega, mas eliminaram grande parte da sua brutalidade.

           Durante a Idade Média (do século V ao século XV), a luta permaneceu popular e apreciado com o patrocínio de várias famílias reais, incluindo as da França, Japão e Inglaterra.


DA ORIGEM GREGA E MITOLOGIA ÀS OLIMPÍADAS MODERNAS

           De acordo com a mitologia greco-romana que habitava a planície de Neméia um invencível Leão, na Argólida, aterrorizando toda aquela região. A terrível fera não podia ser morta por um homem normal por ter couro de algo impenetrável para mortais (humanos) e todos os que tentavam enfrentá-lo ficavam completamente aterrorizados pelo seu rugido, que podia ser ouvido a quilômetros de distância. Além disso, arma alguma podia penetrar o couro do animal, e todos que o tentavam matar com lanças ou flechas acabavam sendo devorados.

           No primeiro dos seus famosos doze trabalhos, Hércules recebeu de Euristeu a missão de derrotar o Leão de Neméia, para dar fim à devastação que este causava. De início, Hércules tentou atingi-lo com suas flechas, inutilmente. Irritado, o herói aplicou com sua clava um golpe tão tremendo na cabeça do animal, que este caiu desacordado. Depois de estrangulá-lo, Hércules extraiu o couro do animal com as próprias garras, uma vez
que nenhuma arma de ferro o conseguia cortar ou perfurar.

           Foi baseado nessas e outras lendas que os gregos se tornaram amantes do combate corporal, os lutas faziam parte dos esportes praticados pelos mesmos, assim como várias outras modalidades que são o pancrácio e o pugilato (que evoluiu hoje para o conhecido Boxe Inglês, foi primeiramente considerado um desporto olímpico em 688 a.C., na 23ª olimpíada da antiguidade; seu vencedor foi Onomasto de Esmirna, que foi quem definiu as regras do esporte).

           A luta estava no programa da primeira edição da Olimpíada da Era Moderna, em 1896, e apenas em 1900, foi a única edição em que o esporte não constou no programa. Ambos os estilos, o estilo-livre e o greco-romano, são disputados em olimpíadas desde 1920. Antes disso, exceto em 1908, apenas um dos estilos era usado nos Jogos, o greco-romano.

           Na preparação dos Jogos Olímpicos de Atenas em 1896, os organizadores consideraram a luta uma modalidade historicamente tão significante, que ela se tornou o foco dessa edição. Foram relembradas algumas situações da edição de 708 a.C., com lutadores usando óleo pelo corpo e lutando em areia. O estilo greco-romano foi considerado a reencarnação da antiga luta grego-romana.


RAÍZES ASIÁTICAS DO GRAPPLING E A EVOLUÇÃO PARA O JU-JITSU

           Alguns historiadores acreditam que a história do Ju-Jitsu japonês passa por um monge zen-budista chamado Bodhidharma (Daruma, no Japão). Bodhidharma, ao redor dos séculos XV ou XVI, teria trazido um estilo de luta arcaico da Índia para a China. É de se notar que os primeiros indícios das artes marciais chinesas venham do tempo da Dinastia Chou , a linhagem real que governou a China de aproximadamente 1122 AC a 255 ac.

           O estilo de luta trazido por Daruma não era o mesmo do Jiu-Jitsu atual, nem suas primeiras versões, mas provavelmente tinha os princípios similares e técnicas fundamentais que posteriormente se desenvolveram nas mais avançadas técnicas de combate sem armas em uso nos dias de hoje, inclusive variados estilos de Kung Fu e posteriormente artes marciais japonesas como Karate e etc.

           Com o passar do tempo, muitas variantes de artes marciais surgiram pela ásia, a arte do Ju-Jitsu e seus diversos estilos tomou corpo no Japão, dividindo-se em muitas escolas e métodos diferentes, algunas davam maior ênfase as quedas e projeções, umas imobilizaçoes
e outras estrangulamentos e técnicas de luxações.

           A denominação "Ju-Jitsu" foi composta para designar, no Japão, aquelas habilidades de luta que não envolviam a utilização de armas. Nesse contexto, o termo acabou por reunir grande variedade de estilos de combate, que se tinham desenvolvido até aquele momento.

           Sua origem, como sucede com quase todas as artes marciais vetustas, não pode ser apontada com total certeza, o que se sabe por certo é que seu principal ambiente de desenvolvimento e refino foi nas escolas de samurais, a casta guerreira do Japão. Contudo, outros levantam a hipótese de ter proveniência chinesa ou dos templos Shaolin.

           A finalidade e o corolário de sua criação residem na constatação de que, no campo de batalha ou durante qualquer enfrentamento, um samurai poderia acabar sem suas espadas ou lanças, daí que ele precisava de um método de defesa desarmada. Nesta cércea, os golpes paulatinamente tenderam para projeções (nage waza) e luxações e torções (kansetsu waza), haja vista que os golpes traumáticos não se mostravam eficazes, pois, no ambiente de luta, os samurais encaminhavam-se às batalhas usando de armaduras. O guerreiro feudal japonês deveria estudar inúmeras modalidades de combate, porquanto deveria estar preparado para quaisquer circunstâncias, sendo obrigado a defender não somente sua vida mas a de seu líder.

           Dessa maneira surgiu essa incrível arte marcial, visando o emprego da própria força e, sempre que possível, da força do adversário, em alavancas, que possibilitam um lutador, mesmo com compleição física inferior à do oponente, conseguir vencer. No chão, com as técnicas de estrangulamento e pressão sobre articulações, é possível submeter o adversário fazendo-o desistir da luta (competitivamente), ou (em luta real) fazendo-o desmaiar ou quebrando-lhe uma articulação.


O JUDO E SEUS PRIMÓRDIOS (JU-JITSU DE JIGORO KANO)

           Até o final da década de 1890, a Kodokan havia sido bem sucedida em todos os desafios contra estilos antigos de Ju-Jitsu. Embora o Judo possuísse técnicas de chão (katame-waza) a maioria dos combates eram definidos através de quedas utilizadas até a desistência ou que causavam danos capazes de impedir que o adversário continuasse a lutar.

           No entanto nessa época, um mestre conhecido como Mataemon Tanabe chegou a Tóquio e inscreveu seus discípulos no torneio da polícia. Tanabe era mestre da escola Fusen Ryu de Ju-Jitsu, uma escola de estilo peculiar, especializada em luta de chão.

           Os melhores lutadores da Kodokan (incluindo o famoso Isogai Hajime) tiveram muita dificuldades ao enfrentar os discípulos de Tanabe e foram sistematicamente derrotados. Diferente de outras escolas,
os alunos da Fusen-Ryu não tentavam lutar contra eles em pé, mas traziam a luta diretamente para o solo, chamando para a guarda (Do jime), e finalizavam através de chaves de articulação e estrangulamentos.

           A mesma coisa aconteceu em diversas competições posteriores na Kioto Butokukai, onde os alunos de Kano foram também finalizados. Em função dessas derrotas, os lutadores da Kodokan decidiram sanar sua falha no chão, aperfeiçoando suas técnicas e treinando entre os desafios para enfrentar a escola de Tanabe. Eles já possuíam alguma base de solo, que advinha principalmente da primeira escola de Kano (Tenshin-Shinyo-Ryu), no entanto era insuficiente.

           Se uniram então com a escola Takenouchi-Ryu, que possuía um bom currículo de imobilizações, chaves e estrangulamento, e através da pesquisa de outras escolas e da análise do estilo de luta da escola de Tanabe, conseguiram aperfeiçoar a técnica de solo da Kodokan.

           Alguns dos responsáveis por essas pesquisas foram Kaishiro Samura, Oda Tsunetame, Izogai Hajime e Suiti Nagoóka. Finalmente, em 1899, após duas derrotas de Izogai Hajime para Tanabe em outros anos, a Kodokan realizou um desafio ena cidade de Okayama, de onde Tanabe era originário.

           O terceiro confronto entre eles terminou empatado, embora existam relatos de que Izogai tenha dominado a luta, e que, segundo a impressão pública, Tanabe apenas fugira durante todo o final do combate (Os relatos infelizmente não deixam explícito se Tanabe fugira apenas da luta em pé, ou se também a luta de chão).

           Não se sabe de fato quanto o Judô Kodokan progrediu em técnicas de chão durante os desafios contra Tanabe, no entanto, depois desta época, Kano (que já era uma ilustre personalidade do governo) convenceu-o a ajudar a Kodokan a melhorar suas técnicas no solo. Alguns fontes dizem que Tanabe entregou seus documentos técnicos à Kodokan.

           Oda Tsunetame (que inclusive foi apelidado de triângulo ou sankaku, por ter desenvolvido essa técnica a partir do katagatame) e Izogai Hajime continuaram responsáveis por melhorar esta área do Judô, desenvolvendo-a até um ponto em que a Kodokan evoluíra muito em termos de katame-waza (solo), mas estagnara em termos de nague-waza (quedas). A grande maioria dos alunos também preferia utilizar técnicas de chão em competições (shiai) da modalidade.

           Por essa razão, e por possuir preferência pessoal por quedas, Kano reduziu cada vez menos, e em épocas diferentes, o tempo em que o Judôca poderia permanecer no solo nas competições (nas revisões das regras juntamente com a Butokukai em 1900. 1922, 1925), inclusive nas últimas duas vezes proibindo que se chamasse para a guarda para evitar a luta em pé. Dessa maneira a luta de solo passou ser a parte marcial do estilo, treinado somente para defesa pessoal e combate real, já que técnicas foram limitadas nas competições.

           Algumas instituições universitárias japonesas conhecidas como Kosen mantiveram as regras antigas (anteriores a 1925) que valorizavam a luta de chão, mas isso não ocorreu com o resto do Japão e do mundo. Em 1909, em função da grande aceitação do Judô, o governo Japonês resolve tornar a Kodokan uma instituição pública.


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